quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sáurios com sabres

A exemplo de um samurai, Lênin está sempre portando um daito (um sabre longo), como um katana, um tachi ou um dotanuki.





Forjados artesanalmente – com uma técnica desenvolvida ao longo de mil e quinhentos anos –, os sabres de samurai são reconhecidos como as lâminas com mais alta qualidade – mais que quaisquer outras em todo o mundo.
Os sabres são manufaturados com auxílio de três instrumentos simples: malho, bigorna e tenaz. Os procedimentos se baseiam no antigo método chinês, procedimento que consiste em aquecer, dobrar e achatar o metal sucessivamente – até obter finalmente a forma desejada.
O aço obtido por este método apresenta uma pele ou textura que forma desenhos chamados Hada. Conforme o estilo do artífice existem vários tipos de Hada, como Itame (madeira), Masame (pedra), Mokume (raiz), Oyasugi (onda) e Emuji (poros). Com o aço pronto para ser temperado, que nada mais é do que endurecido – através do método de forja –, o artífice envolve toda a lâmina com uma massa especial de barro, óxido de ferro e carvão, fazendo um desenho no lado cortante da lâmina – sua marca pessoal –, podendo ser uma marca reta (Suguha), dente-de-serra (Nokogiri), olhos-de-peixe (Gunome), ondulada (Notare) ou uma marca “irregular” (Midare).
Depois destes procedimentos, no mês de fevereiro ou agosto, a lâmina é levada ao fogo – à temperatura de 800º C –, é mergulhado na água à temperatura ideal, recebendo um choque térmico na parte descoberta do gume, e então a peça se torna enrijecida, dando uma curvatura na lâmina (Sori). O que propicia ao katana sua extraordinária característica de resistência (praticamente inquebrável) está no emprego de dois tipos de metal, fundidos na mesma lâmina. O metal mais flexível é destinado ao núcleo da lâmina, e à parte externa da lâmina são acrescentadas duas ou mais camadas de metal mais rígido; repete-se o processo de aquecer, martelar e moldar sucessivamente – quantas vezes forem necessárias –, forjando-se assim as lâminas dos sabres de samurai.
A camada mais externa da lâmina (a parte mais rígida) é então polida e afiada; a camada interna, devido ao núcleo flexível, absorve o impacto que a lâmina recebe ao se chocar com outra superfície rígida – evitando que a lâmina se quebre. A diferença de composição das ligas de metal é decisiva na formação da curvatura do sabre; embora o artífice molde a lâmina enquanto está aquecida, a forma definitiva somente é obtida no súbito resfriamento final, quando a lâmina é mergulhada em água; antes de resfriar a lâmina, ele passa argila exatamente onde a peça é afiada, e o modo como mergulha a lâmina na água é decisivo – o menor descuido acarreta resultados desastrosos. Na parte coberta com argila aparecem as primeiras formas da hada, que é a têmpera ondulada – o gume da lâmina. A diferença de composição dos metais (no interior e no exterior da lâmina) faz com que, durante o resfriamento, a lâmina se contraia e produza a forma final da curvatura. É comum que a peça de metal sofra rachaduras ou ganhe curvatura indesejada, o que implica no malogro do procedimento. Depois que é forjada a lâmina, o trabalho de polimento é conduzido, até obter o máximo de seu brilho e dar-lhe um gume afiado como de uma navalha – os detalhes da hada vêm à tona com o máximo de seu esplendor.
Este acabamento tem como finalidade mostrar o tipo de aço e têmpera que a lâmina possui, pois se a peça for afiada em alguma máquina, não se pode apreciar o trabalho esmerado do artífice. Então após a têmpera a espada é passada na pedra grossa (Arato), grão SAE 108 ou 110, depois grão SAE 150. Em seguida é passada na pedra mais fina (Binsui), grão SAE 250 e 350, depois na pedra Kaisei. Até aqui já podemos notar a beleza dos desenhos da têmpera (Hada). Para finalizar é passada com a ponta dos dedos uma pedra finíssima grão SAE 1.500 a 3.000 (Nagurato) e na parte de trás da lâmina ela é polida com uma agulha de aço (Kanabo). Antes de tudo a lâmina é limada no cabo, onde adquire a sua impressão digital (Yasurime), em que cada artífice apresenta sua marca diferente. Ao término de tudo o sabre é examinado, e recebe então a assinatura no cabo do lado esquerdo – Mei –, seguindo a tradição de sua escola e do outro lado do cabo – Uramei –, a data e o local na era em que foi forjado; uma arma sem a assinatura do artesão é chamada de mumei katana, “espada sem assinatura”. Muitos sabres não possuem assinatura por não serem considerados de qualidade excelente (Jojo) ou Jô (boa), apenas Shita (normal).
Finalmente a lâmina do sabre é encaminhada ao montador, que finaliza o trabalho com todos os seus requintes: todas as peças são devidamente montadas, e a empunhadura da arma (envolta com pele de arraia ou de tubarão) é preparada com fitas de tecido muito resistentes – habilmente trançadas –, com pequenas peças decorativas em bronze, em ouro ou marfim. Depois é preparada mais uma peça: o saya, a bainha do sabre. Confeccionado em couro ou em madeira – encerada ou laqueada –, o saya (bainha) acondiciona a lâmina do sabre com precisão inequívoca, e acondiciona somente a lâmina para a qual foi preparado. A proteção da mão (Tsuba) é confeccionada em bronze ou em ouro, assim como outras peças decorativas maiores.
O katana é empunhado com ambas as mãos. Sua lâmina, mais possante do que um machado – por conta do método de manufatura –, possui um gume de navalha e uma impressionante resistência ao impacto pela sua envergadura, podendo produzir efeito devastador no corpo humano. Se a lâmina de um katana golpeia a cabeça de uma pessoa – em decorrência de um movimento longitudinal –, pode chegar até o meio do seu tórax (ou mesmo até o abdome) sem a menor dificuldade; não obstante – com mesma facilidade –, um golpe transversal pode cortar o corpo da vítima ao meio.
As armaduras dos samurais não costumavam oferecer muita proteção – definitivamente –, pois um único golpe bem desferido pode determinar o desfecho de um confronto (automaticamente); um golpe de dotanuki não é menos devastador – obviamente –, pois sua lâmina é ainda mais possante que de um katana – qual um montante em comparação a uma espada longa.

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